LEOPOLDO NELSON

 

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Pintor, desenhista, poeta, médico, pesquisador, professor da UFRN. Fez mestrado em Fisiologia em Curitiba e defendeu Doutorado em Neurologia no Hospital de La Santa Cruz y San Pablo, na Universidade Autônoma de Barcelona- Espanha.

Nasceu em 25 de outubro de 1940 em Natal.

 

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“Meu pai tinha uma grande confiança em mim. E, por este motivo, fui estudar em Recife aos quinze anos, freqüentando nos dois primeiros anos o Colégio Estadual de Pernambuco.

Uma enorme ambivalência me conduzia ao estudo das Ciências Humanas; à filosofia e à literatura, enquanto assistia às aulas, como ouvinte, na Escola de Engenharia de Pernambuco, fascinado pela mecânica quântica.

Nesta época, descobri os filósofos existencialistas e, em particular, Kierkegaard. A fenomenologia de Husserl e Jaspers. Assisti às conferências de Sartre e Simone de Beauvoir. Numa tarde – e num encontro absurdo -, ajudei a empurrar o táxi que conduzia Sartre, no cais do Apolo; e senti, neste momento, a relatividade do homem e da vida.

Voltei para Natal e fui aprovado no vestibular de Medicina – profissão que escolhi conscientemente, após uma profunda auto-análise -; formei-me em 1968, um ano após a morte de meu pai.

Casei-me no primeiro ano de Medicina com Margarida, minha mulher que continua sendo minha amante e que me deu uma filha: Jovanka, um amor de pessoa.

 

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Como médico, sou psiquiatra por natureza e pela formação humanística da minha personalidade. Dediquei-me ao estudo da fisiologia cerebral, talvez levado pelas minhas dúvidas filosóficas.

Sou essencialmente agnóstico, humanista por princípio.

Comecei a pintar em 1961, tive várias fases e sofri a influência direta da pintura de Rembrant, Zurbaram, El Grego, Goya, Bosch, Brueghel, Van Gogh e Modigliani. E também de James Ensor.

Escrever fragmentos de uma autobiografia – precoce – significa a mesma coisa que se olhar no espelho do passado com os olhos do presente…”.

Leopoldo Nelson de Souza Leite

Março de 1981

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Fonte: Leopoldo Nelson de Souza Leite- Gravuras e fragmentos autobiográficos. Natal Editora Universitária, 1981.

 

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Leopoldo Nelson deixou uma obra plástica ainda pouco conhecida do grande público, como também uma obra literária. Deixou completamente organizado um livro que vem se arrastando para publicação há muitos anos. Acredito que agora estamos no final do caminho, o livro foi retomado e reorganizado por mim e Helenita Monte e estar na editora da UFRN para ser impresso. São poemas inéditos de Leopoldo, escritos em 1989 e acrescentei dialogando com os poemas parte de sua obra plástica. Título do livro: Canto pelo Terceiro Mundo.

Leopoldo Nelson morreu em 04 de março de 1994.

 

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Veja o que ele escreveu para a orelha do livro no prelo:

“Eu sou um poeta Barroco. Não me interessam nem Escolas nem modismos em poesia. A alma do mundo atual é Barroca – apesar do avanço da técnica e da ciência.

A alma do Brasileiro continua sendo Barroca. A técnica elevou o padrão de vida, mas, não modificou o homem por dentro. A vida e o comportamento continuam os mesmos. Os arquétipos. A dualidade entre a vida e a morte. A busca pela melhor forma de matar, cada vez mais, um número maior de pessoas.

Máquinas de guerra! A fome utilizada como arma suja. O jogo pelo poder. A divisão da geografia no tabuleiro de xadrez dos países ricos.

O mundo dividido em pedaços – o terceiro mundo. E as pessoas tornadas números. Somos uma contradição, e, por isso, continuamos barrocos e acreditamos ter o poder sobre o Bem e o Mal.

A história decidirá o fim da nossa regressão. Ainda persiste a luta entre o carnaval e a quaresma”.

LEOPOLDO NELSON

Agosto de 1989

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Leopoldo Nelson pintou 15 telas ( três delas nessa foto) que compõem a “Via Sacra”, inspiradas no Evangelho de São Mateus, foi comprada pelo Governo do Estado na década de 70, no governo de Cortez Pereira. Depois as obras foram doadas à Arquidiocese de Natal e cerca de mais de cinco anos foi requisitada pela FJA para que fosse restaurada.

Hoje não se tem mais notícias dessas obras, a não ser vagas respostas que elas continuam em processo de restauração. Esperar?

Aqui obras pertencentes ao acervo da família:

 

 

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Essas imagens pertencem ao acervo da família de Leopoldo Nelson, da viúva Margarida Bittencourt. Proibido o uso de publicação sem autorização da família. Fotografias feitas por Helenita Monte.

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