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LEOPOLDO NELSON

3 de março de 2010

 

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Pintor, desenhista, poeta, médico, pesquisador, professor da UFRN. Fez mestrado em Fisiologia em Curitiba e defendeu Doutorado em Neurologia no Hospital de La Santa Cruz y San Pablo, na Universidade Autônoma de Barcelona- Espanha.

Nasceu em 25 de outubro de 1940 em Natal.

 

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“Meu pai tinha uma grande confiança em mim. E, por este motivo, fui estudar em Recife aos quinze anos, freqüentando nos dois primeiros anos o Colégio Estadual de Pernambuco.

Uma enorme ambivalência me conduzia ao estudo das Ciências Humanas; à filosofia e à literatura, enquanto assistia às aulas, como ouvinte, na Escola de Engenharia de Pernambuco, fascinado pela mecânica quântica.

Nesta época, descobri os filósofos existencialistas e, em particular, Kierkegaard. A fenomenologia de Husserl e Jaspers. Assisti às conferências de Sartre e Simone de Beauvoir. Numa tarde – e num encontro absurdo -, ajudei a empurrar o táxi que conduzia Sartre, no cais do Apolo; e senti, neste momento, a relatividade do homem e da vida.

Voltei para Natal e fui aprovado no vestibular de Medicina – profissão que escolhi conscientemente, após uma profunda auto-análise -; formei-me em 1968, um ano após a morte de meu pai.

Casei-me no primeiro ano de Medicina com Margarida, minha mulher que continua sendo minha amante e que me deu uma filha: Jovanka, um amor de pessoa.

 

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Como médico, sou psiquiatra por natureza e pela formação humanística da minha personalidade. Dediquei-me ao estudo da fisiologia cerebral, talvez levado pelas minhas dúvidas filosóficas.

Sou essencialmente agnóstico, humanista por princípio.

Comecei a pintar em 1961, tive várias fases e sofri a influência direta da pintura de Rembrant, Zurbaram, El Grego, Goya, Bosch, Brueghel, Van Gogh e Modigliani. E também de James Ensor.

Escrever fragmentos de uma autobiografia – precoce – significa a mesma coisa que se olhar no espelho do passado com os olhos do presente…”.

Leopoldo Nelson de Souza Leite

Março de 1981

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Fonte: Leopoldo Nelson de Souza Leite- Gravuras e fragmentos autobiográficos. Natal Editora Universitária, 1981.

 

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Leopoldo Nelson deixou uma obra plástica ainda pouco conhecida do grande público, como também uma obra literária. Deixou completamente organizado um livro que vem se arrastando para publicação há muitos anos. Acredito que agora estamos no final do caminho, o livro foi retomado e reorganizado por mim e Helenita Monte e estar na editora da UFRN para ser impresso. São poemas inéditos de Leopoldo, escritos em 1989 e acrescentei dialogando com os poemas parte de sua obra plástica. Título do livro: Canto pelo Terceiro Mundo.

Leopoldo Nelson morreu em 04 de março de 1994.

 

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Veja o que ele escreveu para a orelha do livro no prelo:

“Eu sou um poeta Barroco. Não me interessam nem Escolas nem modismos em poesia. A alma do mundo atual é Barroca – apesar do avanço da técnica e da ciência.

A alma do Brasileiro continua sendo Barroca. A técnica elevou o padrão de vida, mas, não modificou o homem por dentro. A vida e o comportamento continuam os mesmos. Os arquétipos. A dualidade entre a vida e a morte. A busca pela melhor forma de matar, cada vez mais, um número maior de pessoas.

Máquinas de guerra! A fome utilizada como arma suja. O jogo pelo poder. A divisão da geografia no tabuleiro de xadrez dos países ricos.

O mundo dividido em pedaços – o terceiro mundo. E as pessoas tornadas números. Somos uma contradição, e, por isso, continuamos barrocos e acreditamos ter o poder sobre o Bem e o Mal.

A história decidirá o fim da nossa regressão. Ainda persiste a luta entre o carnaval e a quaresma”.

LEOPOLDO NELSON

Agosto de 1989

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Leopoldo Nelson pintou 15 telas ( três delas nessa foto) que compõem a “Via Sacra”, inspiradas no Evangelho de São Mateus, foi comprada pelo Governo do Estado na década de 70, no governo de Cortez Pereira. Depois as obras foram doadas à Arquidiocese de Natal e cerca de mais de cinco anos foi requisitada pela FJA para que fosse restaurada.

Hoje não se tem mais notícias dessas obras, a não ser vagas respostas que elas continuam em processo de restauração. Esperar?

Aqui obras pertencentes ao acervo da família:

 

 

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Essas imagens pertencem ao acervo da família de Leopoldo Nelson, da viúva Margarida Bittencourt. Proibido o uso de publicação sem autorização da família. Fotografias feitas por Helenita Monte.

RON MUECK – ESCULTOR

7 de fevereiro de 2010

 

 

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Abriu agora em janeiro até abril de 2010 na National Gallery of Victoria em Melbourne, Austrália uma exposição do escultor Ron Mueck. Um escultor que embrulha nosso estômago. Suas esculturas são tão realistas que nos põe em questionamento sobre o real. Ele trabalha com dimensões para menos ou para mais em relação à realidade dos corpos humanos, são corpos de aproximadamente 1 metro ou acima de cinco metros. É nessa escolha que ele brinca com o real. Ron nasceu em 1958 e é australiano, declara em suas entrevistas que nunca pensou em ser escultor, porém é a única coisa que sabe fazer. Ele começou confeccionando bonecos para teatro. Sua sogra, Paula Rego a artista plástica portuguesa radicada em Londres lhe encomendou um Pinóquio e ficou tão impressionada que apresentou seu trabalho a uma galeria em Londres. A partir daí seu trabalho é exibido em galerias e bienais.

No mundo onde o vivível tomou a dimensão do extremo, seus “humanos” são bem alojados. Penso nos caminhos opostos que trilham suas esculturas e as esculturas de Giacometti. Enquanto Giacometti sonha com um universo de homens que se desfazem da aparência, ao ponto de se desnudar o bastante até chegar a um lugar secreto do humano, Ron Mueck toma a rota inversa, apressa o andar e se coloca na visibilidade mais crua para chegar ao humano. Não tenho idéia qual o caminho melhor, ou se é para escolher o melhor caminho. Gosto das bifurcações e os dois batem na minha alma por caminhos diferentes. Toda obra de arte sonhar em surpreender, tocar, mexer, modificar a quem a olha. Impossível ficar indiferente a obra de Giacometti quanto a de Ron.

Para Jean Genet , “toda obra de arte que queira alcançar as mais grandiosas proporções deve, com uma paciência e uma aplicação infinitas desde os momentos de sua elaboração, descer aos milênios, juntar-se, se possível, à noite imemorial povoada de mortos que irão se reconhecer nessa obra” (2000). Porém esses mortos que ele fala nunca foram vivos. Podemos dizer o mesmo das esculturas de Ron, elas nunca foram vivas, mas trazem o liame do vivo, do real, para que possamos reconhecê-las. Onde estão as figuras de Giacometti, senão na morte? Onde estão as figuras de Ron, senão na vida?

 

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fonte de imagens e pesquisa: artblart.wordpress.com

DUAS MULHERES, TEREZA E PAULA

6 de fevereiro de 2010

 

Foto: Passarinho/Pref.Olinda

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Tereza Costa Rêgo

 

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Paula Rego

Duas mulheres, Tereza e Paula. Um mesmo sobrenome: Rego. Um mesmo ofício: artista plástica. Quase a mesma idade, Paula tem hoje 75 anos, Tereza 80 anos. Um oceano separa as duas: o Atlântico. Paula é portuguesa e mora em Londres. Tereza é pernambucana e mora em Olinda. Paula casou com um artista inglês, Vic Willing e hoje é viúva. Tereza casou, teve duas filhas e abandonou o casamento para viver uma história de amor com um revolucionário, Diógenes Arruda, hoje é viúva.

Não sei se as duas se conhecem, isto é, pelo menos a obra de cada uma. Porém desde o dia que vi uma exposição de Paula Rego em Portugal não consigo deixar de aproximá-las.

As mulheres retratadas tanto por Paula quanto por Tereza são muito próximas, tanto na técnica da pintura quanto na representação. São mulheres na condição de submissas no contexto social, político, sexual ou afetivo.

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Em um dos quadros de Paula Rego, ela retrata uma mulher de joelhos e começando a se despir, como um ato religioso, sacro, um devotamento.

 

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Já nesse quadro há uma cena íntima, familiar, uma menina e uma criada ( ou a mãe) ajuda este homem ( ou pai ) a se vestir, enquanto a outra menina observa. A centralidade da cena, é do homem ( o pai) todas as mulheres estão ao seu redor, cuidando dele.

 

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Aqui uma jovem lustra uma bota masculina. Uma bota de alguém muito próximo, o pai. É como se fosse uma tarefa a ser realizada entre outras das “obrigações” femininas.

Porém a artista Paula Rego esgarça essa condição de submissão através do corpo. É como se ela usasse o corpo como instrumento de luta, de sinalização de sua revolta. Assim ela cria mulheres fortes, musculosas, quase masculinas, longe do padrão de fragilidade, feminilidade ou sensualidade.

 

 

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Nesse outro quadro, por exemplo, o que vemos é uma senhora sentada em seu quarto e a criada a cuidar de seus cabelos. Ela tem bigode e um corte de cabelo bem masculino contrastando com um corpo de senhora. Outra criada tenta levantar uma jovem da cadeira. Há também um estranho porco nos aposentos. A presença masculina é exposta através do roupão pendurado atrás da porta. Esse é um hábito bem antigo, que encontramos aqui no sertão do nordeste, isto é, pendurar roupas de uso diário atrás de uma porta. Como naquela época havia apenas um banheiro na casa, a porta do quarto era usada para pendurar a toalha, roupão ou roupa de usar em casa.

 

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As mulheres de Paula Rego tem sempre pernas muito grossas e braços fortes, lembrando estivadores. Como se a artista quisesse vesti-las para uma luta de igual para igual com os homens, pelo embate do corpo.

 

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Por exemplo, suas bailarinas têm corpos pesados, não há lirismo, leveza, nem música. Elas estão apenas vestidas de bailarinas, porém parecem estar dispostas a uma outra tarefa. Há também certa solidão na postura delas. E estão sempre em repouso.

 

 

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Na obra de Paula Rego me parece que há sempre uma luta silenciosa das mulheres com seus inimigos, sejam maridos, amantes ou algoz. Elas estão sempre sujeitas ao domínio masculino. E é nesse ponto que se assemelha com as mulheres de Tereza Costa Rego.

 

 

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Nesse outro quadro de Paula Rego a mulher estar batendo no chão com fúria e ira, parecendo acuada ou sem saída. Um momento de soltar as feras.

 

 

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Já nesse outro quadro nos passa o sentimento de profunda solidão, uma mulher com dor após um aborto e onde não há ninguém ao seu lado.

 

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Encontrei em um site na internet um depoimento de Paula Rego onde ela declara:

” Pinto para dar uma face ao medo”.

Me parece que o medo de Paula Rego é o outro, é o que estar muito próximo, muito íntimo, o medo da opressão masculina. Esse medo estar nos olhos de suas mulheres submissas, sem saída, acuadas no próprio papel de mulher na sociedade machista.

Um medo que também pode vir das narrativas míticas, por exemplo: o mito do Barba-azul. Como argumenta Clarisse P. Estés:”… o homem sinistro que habita a psique de todas as mulheres, o predador inato”.

Grande parte da obra de Paula Rego é inspirada em narrativas literárias, principalmente histórias infantis. Delacroix considerava os textos narrativos como estimulantes naturais da imaginação plástica.

 

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Tereza Costa Rêgo provavelmente também trilhou a literatura e a antropologia de Gilberto Freire como fonte de inspiração. Porém foi no seu próprio cotidiano de mulher numa família de irmãos que naturalmente freqüentavam bordeis que Tereza se inspirou.

 

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As moças de família não mantinham relações sexuais com os seus pretendentes, só após o casamento. Assim, os homens solteiros e casados freqüentavam os bordeis com bastante freqüência e se criou no imaginário feminino, o proibido, o local exclusivamente para os homens.

 

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As mulheres de Tereza estão nos bordeis de antigamente, languidamente expostas. Tem corpos femininos, prontas para saciar os desejos dos homens, entregues de forma sensual e melancólica.

 

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Na mesma posição das mulheres de Paula Rego em seus casamentos impostos, arranjados. São essas as mulheres retratadas por Tereza Costa Rego e Paula Rego.

A plasticidade da obra das duas tem muita semelhança. É uma pintura de cores vibrantes, de uma estética tradicional na forma e nas cores. A realidade é o ponto central e o corpo feminino um tema constante e definidor. São corpos que expõem suas feridas psíquicas, suas angústias, dores, opressões, lutas silenciosas, solidão e desamparo.

Paula Rego, Tereza Costa Rêgo, duas mulheres, cúmplice da alma feminina.

GIL VICENTE

24 de janeiro de 2010

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Conheci Gil Vicente quando estava na direção do NAC-UFRN em 2003. Fiz um convite a ele para expor na galeria. Foi um encontro muito agradável. Como eu tinha como referência os seus trabalhos tensos expostos na Bienal de São Paulo em 2002 me deparei com um homem de um humor leve e meio moleque.

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Essa obra ao qual me referi é completamente perturbadora, um desnudamento da alma. Esse quadro Eu e Maria Vasconcelos, o meu preferido de todos até hoje, me joga na cara um compartilhamento singular, amoroso e ao mesmo tempo uma solidão profunda.

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As figuras humanas de Gil, por exemplo: a série das cabeças, parece tocar a ferida mais obscura da intimidade, ou rasgar toda a carne para chegar ao início de tudo, se é que existe esse lugar. São rostos de homens de olhar e expressões severas. É talvez o outro Gil, sério, crítico, contido.

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Sua obra provoca em mim uma perplexidade e ao mesmo tempo um fascínio. Sobre seus humanos tomo aqui as palavras de Jean Genet quando se refere às esculturas de Giacometti: ”…são familiares, caminham na rua. Porém, estão no fundo dos tempos, na origem de tudo, aproximam-se e recuam sem cessar, numa mobilidade soberana”. ( 2000, 14).

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Me parece que Gil sempre retorna aos seus humanos. Vi ultimamente através da internet seu mais recente trabalho, um desenho de um auto-retrato nu ( acima). Talvez aqui ele esteja se colocando diante daqueles humanos(seus desenhos) de 2002, como que pedindo permissão para ser um deles, por isso  se despiu, para poder se entregar. Se entregar a um compartilhamento de carne e solidão.

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Observando seus desenhos como a série de cabeças, curvando o corpo para olhar os auto-retratos Rorschach, passando pelos Inimigos, até chegar ao auto-retrato nu é como atravessar uma cidade de homens que nos repousam olhares precisos,ou  uma verdade incontestável: somos tão desiguais quanto iguais a qualquer outro.

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Aqui a série Inimigos. Auto-retrato matando George Bush, Luiz Inácio Lula da Silva, Bento XVI, Eduardo Campos, Fernando Henrique Cardoso, Jarbas vasconcelos, Ariel Sharon, Elizabeth II e Kofi Annan.

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Valquíria Farias declara em seu texto de apresentação da exposição Inimigos: “ O realismo cruel de cada cena entre dois personagens é indicativo do destino fatal que um terá”.

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Quando nos conhecemos ele me deu um presente: uma pintura sua em nanquim de dois rostos femininos. Quando me entregou disse: “um é você e o outro é seu juízo”. Rimos muito e ao mesmo tempo me surpreendi e também fiquei emocionada. Foi um dos presentes mais lindo que já recebi e hoje os guardo com grande afeto.

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Esse homem Gil que rasga a ferida humana diante de nossos olhos é também capaz de ser leve e ter um sorriso maroto.

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