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Aula prática de fotografia

9 de abril de 2011

 

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Mês de abril. Local: em Acari, na estação de energia da cidade. Uma bela tarde com a chuva chegando, lá do alto, as serras ao  alcance do nosso olhar.

São as chuvas chegando no sertão e os cheiros das flores de mufumbo ou as lavandas silvestres nos inebriando.

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Nessa tarde, estávamos com sorte, a natureza resolveu nos presentear com belos cenários para fotografar.

 

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Barragem do Gargalheiras.

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A cidade ao longe e a chuva chegando em duas frentes.

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O tempo fechando, porém um fio de luz ainda ilumina algumas serras.

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A turma a posto procurando os melhores ângulos.

 

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No dia seguinte, fizemos uma caminhada de uma hora e meia subindo uma serra, por trás do Gargalheiras.

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A natureza  explodindo de beleza, um sertão verde exuberante.

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Nossa tarefa: subir essa serra, dominá-la com os nossos pés.

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No meio do caminho.

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Quase no céu.

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Nossa guia, Angelina, nos fotografando. Estávamos quase no topo da serra.

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Foto de Valiete Bassini. Todos cansados, porém felizes.

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Vocês não imaginam o cheiro dessa mata.

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Aqui Angelina nos ensina a música que vem dos cactos. Você passa  a mão no cacto e emite um som de cachoeira, de águas descendo, impressionante.

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Chegamos na casa de seu Leite de Peba e dona Maria, um casal de idosos que resolveram morar distante, muito distante, de qualquer urbanidade e tecnologia. Nessa casa não tem energia. Porém há o essencial para viver,  uma fonte de água pura e gelada que brota entre as pedras.

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Uma escolha de vida.

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Seu José Felipe ( Leite de Peba) e dona Maria Isabel.

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Dona Maria fez um cuscuz  nesse fogo à lenha, molhado com leite de gado fresco e manteiga da terra, um sabor inesquecível.

 

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Aqui até os bichos são contemplativos.

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A mula come na entrada da casa.

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O cachorro descansa na sombra das árvores.

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Os patinhos zen, só observam, nem se mexem.

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Um detalhe da estética sertaneja. As fotos na parede se misturam entre o sacro e o profano. São imagens de santos, políticos, mortos, vivos, objetos. Nada obdece a geometria do alinhamento, ao contrário, há uma outra métrica medida a partir do gosto de cada um.

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Mesmo optando em morar longe da urbanidade, a urbanidade a partir da roupa vem até eles. Pois o ato de ir  a cidade comprar roupas o fazem escolher modelos impostos pelo consumo.

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A única fonte de luz ( um lampião) na casa de seu Leite de Peba.

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Como disse Oswaldo Lamartine:

“ Cada vivente tem o seu sertão. Para uns são as terras além do horizonte e para outros, o quintal perdido da infância”.

 

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“Bem que eu queria. Quem me dera a dureza da aroeira, a floração do pau-dárco, a sombra da oiticica, o cheiro do camuru – isso para não falar nos espinhentos. Me bastava ser talvez uma imburana”.

 

Grupo de alunos da HUMA Escola de Fotografia que participaram da viagem: Eu ( Angela Almeida), Ana Carmem, Elisangela da Costa, Edson do Carmo, Ivanilde Garcia, Juliane Caroline, Tânia Ricciardi, Bruno Leonardo, Simone Sodré e Valiete Ribeiro.

Professor: Hugo Macedo.

Annie Leibovitz

7 de janeiro de 2011

 

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capa do livro

 

Annie Leibovitz escreveu na abertura desse livro que editá-lo foi uma das formas que encontrou para dizer adeus a Susan Sontag, depois de um longo período de amizade, companheirismo e romance.

O livro cobre um período de 1990 a 2005. Como ela mesma declarou o fio condutor foi o tema da morte e da dor que atravessou como um sopro todo o livro.

Susan Sontag morreu logo após o Natal, no dia 28 de dezembro de 2004, após um longo período lutando contra um câncer. Porém Annie no mesmo período não só perdeu Susan Sontag, seis semanas depois o seu pai, Samuel Liebovitz, também morreu. Impregnada do sentimento de perdas ela começa na época a editar o livro.

Grande parte das fotografias nele é familiar para Annie: seus pais, irmãos, filhos, alguns artistas, celebridades, amigos e Susan Sontag, em suas viagens, encontros e todo o período que estiveram juntas até a morte.

O livro traz fotos bastante fortes de Susan Sontag, entre a dor numa cama de um hospital, a exposição do seu corpo nu após uma mastectomia, a queda dos cabelos após uma quimioterapia, até seu corpo pronto para o funeral. A própria Annie confessa que forçou a si mesma para fazer essas fotos, porém ela tinha que terminar um trabalho que começaram juntas, quando foi dado o diagnóstico de câncer para Susan Sontag.

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Susan em Milão ( 1991)

 

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Susan em Capri ( 1992)

 

A fotografia de Annie Leibovitz nos parece sempre caminhar nesse fio entre o real e o mais próximo possível do que há de mais humano no homem, sem esquecer os sonhos.

 

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Susan, Nova York ( 1993)

 

Ela ( Annie Leibovitz) declara que sua fotografia precisa de envolvimento, que ela adora a rua ( não gosta muito de fotografar em estúdio), adora ir à casa das pessoas, vê o que há em suas paredes, a cadeira que gosta de sentar, saber como aquela pessoa vive para depois retratá-la.

Argumenta também que quando jovens fotógrafos a perguntam sobre o que podem fazer para se tornarem bons fotógrafos, ela responde, permaneçam o mais próximo possível de casa. Essa metáfora da casa é exatamente essa proximidade, esse envolvimento que ela procura em cada imagem que capta.

Realmente não dá para escrever, pintar ou fotografar distante do seu alvo e de si mesma.

Esse livro “ Annie Leibovitz – A Photographer’s Life” tem mais de seiscentas páginas, no tamanho 35 x 26 cm, com algumas fotografias em cores e grande parte em preto e branco. É uma bela viagem ao mundo estético da mais famosa fotógrafa americana.

As legendas em inglês e fotos a seguir são fragmentos do livro de Annie Leibovitz:

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Autoretrato ( 1991)

“Going through my pictures to put this book together was like being on an archaeological dig”

 

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Susan em Nova York ( 1992)

“After Susan died, on December 28, 2004, I began searching for photographs of her to put in a little book that was intended to be given to the people who came to her memorial service. The project was important to me, because it made me feel close to her and helped me to begin to say good- bye”

 

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“… that the period this book covers is almost exactly the years I was with Susan, I considered doing a book made up completely of personal work”

 

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“ I found the first photograph, of Susan at Petra, when I was working on the memorial book. Photographs take on new meanings after someone dies. When I made the picture, I want her figure to give a sense of scale to the scene. But now I think of it reflecting how much the world beckoned Susan”

 

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Susan em Belgrado ( 1993)

 

“ My pictures are helped by an environment. I love the street. I love going to someone’s house, seeing what’s on their walls, what chair they sit in. I like to see how they live”

 

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Eudora Welty ( 1997)

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Willie Nelson (2001)

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Gwen Torrence, Carl Lewis ( 1996)

 

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Cate Blanchett ( 2004)

 

Os pais de Annie Leibovitz:

 

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Sua mãe e um neto ( 1992)

 

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“My mother, she had studied dancing and she played the piano”

 

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Seus pais (1988)

 

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Filhos de Annie Leibovitz quando criança:

 

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Foto de Annie Leibovitz  tirada por Susan Sontag em outubro de 2001

 

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Susan com Sarah ( 2001)

 

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Sarah Cameron Leibovitz ( abril de 2002)

 

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Sarah

 

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Susan e Samuelle ( gêmios) ( mãe de aluguel)  2005

 

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Susan Sontag e Sarah

 

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Sarah e o avô, Samuel Leibovitz

 

Susan Sontag:

 

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México ( 1989)

 

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Susan no Egito ( 1993)

 

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“I forced myself to take pictures of Susan’s last days. Perhaps the pictures completed the work she and I had begun together when she was sick in 1998”.

“We buried Susan in Paris, and when I got back to New York from the funeral I took photographs from the windows of my apartment in London Terrace, across the snow toward her apartment, which was only a few yards away. I was so used to looking over there and seeing a light on”.

 

 

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“A few weeks later, I photographed my father’s death. He had chosen to die in a different way than Susan did. He didn’t go to the hospital. He died at home, in his sleep early in the morning. My mother was holding him”

 

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Um poema:

 

O poeta, ensaísta, francês, Jacques Roubaud também em sua cerimônia de adeus a sua mulher escreveu um belo livro de poesia chamado “algo: preto poemas “, editado pela Perspectiva em 2005. Trago aqui dois poemas dele para acompanhar a fotografia de Annie Leibovitz.

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“Eu queria desviar seu olhar para sempre, eu queria ser o único no mundo a não ter visto, essa mão podia não ter estado lá, afinal: nem eu tampouco, e comigo desaparecer o mundo, esse brinde. a imagem da sua morte.

Ela amara a vida apaixonadamente de longe. sem a impressão de estar nela nem de fazer parte dela. infeliz, ela fotografava relvados tranqüilos e felicidade familiar. êxtase paradisíaco, ela fotografava a morte e sua saudade.

Enfim adequação exata da morte mesma à morte sonhada, a morte vivida, a morte mesma mesma. idêntica à ela mesma.

Puro princípio do amor.

Adormecer como todo mundo, o que quero.

Amo-te até lá.

Evidentemente não era um brinde comum. o de me oferecer, às cinco horas da manhã, numa sexta-feira, a imagem de tua morte.

Não uma fotografia.

A morte mesma mesma. idêntica a ela mesma”.

Jacques Roubaud

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Susan with Richmond Burton

 

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Susan Sontag e Sarah (2002)

 

“Esta fotografia, tua última, deixei-a na parede, onde puseras, entre as duas janelas,

E ao entardecer, recebendo a luz, sento-me, nesta cadeira, sempre a mesma, para olhar para ela, onde a puseste, entre as duas janelas,

E o que se vê, aí, recebendo a luz, que declina, no golfo de tetos, à esquerda da igreja, o que se vê, ao entardecer, sentado nessa cadeira, é, precisamente,

O que mostra a imagem deixada na parede, no papel marrom escuro da parede, entre as duas janelas, a luz,

Avança, em duas línguas oblíquas flui na imagem, de revés, até o ponto exato onde o olhar que a concebeu, o teu, concebeu, versar indefinidamente a luz reversa a quem, eu, olha para ela,

Pousada, no centro, do que ela mostra,

Porque nesse centro, o centro do que ela mostra, que eu vejo, há também, recorrente a própria imagem, contida nele, e a luz, entra, desde sempre, do golfo de tetos á esquerda da igreja, mas sobretudo há, o que agora falta

Tu. porque teus olhos na imagem, que olham para mim, neste ponto, nesta cadeira, onde eu me sento, para ver-te, teus olhos,

Já vêem, o momento, em que estarias ausente, prevêem-no, e é porque, eu não pude mover-me deste lugar”.

Jacques Roubaud

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Janela do apartamento de Annie Leibovitz que dava vista para o apartamento de Susan Sontag.

TITO ROSEMBERG

10 de março de 2010

Esse cara é uma fera, quando fotografa não deixa pra ninguém. Nunca esnoba conhecimento na seara da fotografia, como diria o matuto: “não conta goga”, mais sabe muito. O papo é pra lá de interessante, sobre a vida, a ciência, o jornalismo, a política, até mesmo as banalidades do cotidiano.

Nasceu no Rio de Janeiro, um autêntico “menino do Rio”. Passou adolescência surfando ou matando aula no Arpoador. Quando o Rio ficou pequeno ele ganhou o mundo, viveu grande parte da vida literalmente com o pé na estrada entre a América e a Europa.

Escreveu o livro “Aventuras no Camel Trophy”, que vendeu 40 mil exemplares em sete edições.

Fez de tudo, além do jornalismo e da fotografia pelo mundo afora.

Após um tempo vivendo na Itália e na França, veio a passeio ao Nordeste. Conheceu Pipa, isso já em 2004 e assim plantou uma raiz ( construiu uma casa). É de Pipa hoje que ele parte para as suas viagens.

Selecionei aqui a partir da página dele no Orkut, algumas fotografias da sua mais recente viagem ao Continente Africano.

Foi a África do Sul, caminhou, viajou de ônibus, de carona em carroceria de caminhão e tudo que foi possível para consumir a cultura e a beleza das terras africanas.

Com um olhar singular captou uma África além de exuberante, extremamente humana e esteticamente colorida.

Tito é assim, na vida e na arte, um criador curioso pelas coisas belas.

Fui buscar trechos de poemas de Orides Fontela para acompanhar algumas fotos de uma África de Tito Rosemberg.

INICIAÇÃO

“Se vens a uma terra estranha

curva-te

se este lugar é esquisito

curva-te

 

se o dia é todo estranheza

submete-te

_ és infinitamente mais estranho”.

Orides Fontela

 

“… Através do

silêncio

cai a

água

 

filtra-se

através do ser

a inextinguível

água

do silêncio”.

Orides Fontela

 

Viagem

 

“Viajar

mas não

para

viajar

mas sem

onde

 

sem rota  sem ciclo  sem círculo

sem finalidade possível.

 

Viajar

e nem sequer sonhar-se

esta viagem”.

Orides Fontela

 

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LEMBRETES

 

“É importante acordar

a tempo

é importante penetrar

o tempo

 

é importante vigiar

o desabrochar do destino”.

Orides Fontela

 

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Fotos de Tito Rosemberg

AS MULHERES DE EDWARD WESTON

9 de fevereiro de 2010

 

Edward Weston by Brett Weston

Edward Weston, 1938, foto de Brett Weston  ( seu filho).

 

Edward Weston chegou à velhice solitário como ex-marido, ex-amante, ex-namorado de várias mulheres. Criou gatos. Com mal de Parkinson não pode mais fazer o que sempre fez e amou: fotografar.

Fez sua última foto em 1948. Morreu dez anos depois em 1958, com 72 anos, em casa, sentado, próximo a uma janela olhando o mar, numa noite de final de ano.

Weston nasceu em Chicago em 1886. Sua mãe morreu quando ele tinha cinco anos. Seu pai casou novamente e Edward segundo seus biógrafos foi uma criança triste, transferiu a afeição maternal para uma única irmã mais velha que ele três anos, na época uma menina de oito anos.

Na sua vida adulta foi inconstante com as mulheres. Casou muito cedo, com apenas 23 anos, com Flora Chandler, uma herdeira de terras que manteve sempre a família. Com ela teve quatro filhos: Chandle ( 1910), Brett ( 1911), Neil ( 1914) e Cole ( 1919). O casamento se manteve por vários anos entre saídas e voltas de Weston.

 

 

The_Getty_Center-13_1 Nu de Flora Chandler,1910.Edward Weston.

Sua primeira saída foi um romance com Margareth Mather, modelo e parceira de negócios.

 

 

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Edward Weston e Margarethe Mather, 1922- foto de Imogen Cunningham

Nessa época conheceu Tina Modotti, quando ela ainda estava casada e posou nua para ele. Porém alguns anos depois ela ficou viúva e foi morar no México. Ele parte para lá atrás dela e leva com ele seu filho mais velho ( Chandle).

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Tina Modotti, 1924- Edward Weston

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Tina Modotti-Edward Weston

 

 

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Tina Modotti- Edward Weston

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Edward Weston fotografado por Tina Modotti

 

A relação com Tina também não dura muito tempo e ele volta para Flora, na Califórnia. Mais logo em seguida se enamora de Miriam Lerner, outra modelo de suas lentes. Pouco tempo depois rompe com Miriam e volta para o México novamente, para Tina e dessa vez leva com ele o outro filho, Brett.

Mais uma vez a sua relação com Tina acaba e ele volta para casa. Flora sempre o recebe de volta.

 

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Edward Weston

 

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Nude de Charis- Edward Weston

 

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Nude de Charis –Edward Weston

 

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Nude- Edward Weston

Nesse período conhece Sonya Noskowiak e vive com ela por quatro anos. Porém ela lhe apresenta Charis Wilson, uma jovem escritora. Edward mais uma vez se apaixona, pede o divorcio a Flora e se casa com Charis que tinha na época 19 anos e ele 40. Juntos chegam a editar um livro, porém o romance também não dura, se divorciam, entretanto ficam amigos para o resto da vida.

 

 

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Charis Wilson- Edward Weston

 

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Charis Wilson-Edward Weston
Charis morreu em novembro de 2009 com 95 anos.

Edward começa a sentir os primeiros sintomas da doença, vive cercado de gatos e vez por outra de seus filhos. Cole (seu filho) organiza todo o seu acervo.

 

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Edward Weston

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Edward Weston

 

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Edward Weston

Seus nus são limpos, jovens e ao mesmo tempo retorcidos como os próprios legumes que ele também fotografa. Há uma sensualidade branda, quase escultural. Suas paisagens da natureza , suas árvores e legumes parecem se enroscarem em si mesmos, estão como se a procura de um aconchego. Talvez o próprio aconchego que Edward procurou nos vários braços femininos, quem sabe a procura do abraço maternal que tão cedo perdeu.

 

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Edward Weston

Fonte de algumas informações no livro: Edward Weston. Könemann 1997.

Fonte de imagens:www.edward-weston.com.

Imogen Cunningham – Fotógrafa

6 de fevereiro de 2010

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Uma mulher a frente do seu tempo, uma fotógrafa de tirar o fôlego.

Ela nasceu em 1883 em Portland, Oregon. Mudou-se para Seattle, Washington em 1889. Casou-se com um artista, Roi Partridge que posou nu para suas lentes. Porém a exposição dessas fotos não agradou muito ao público da época. Entretanto ela continuou seu trabalho de fotógrafa, teve três filhos com Roi. Em 1945 foi convidada por Ansel Adams para lecionar na California School of Fine Arts, onde teve como colegas, Dorothea Lange e Minor White, além de Ansel Adams. Imogen morreu aos 93 anos em 1976 em San Francisco.

Veja algumas de suas fotos:

519674tGary Grant, ator- 1932

 

519437t Adolph Bolm, dançarino-1920

519449t Agave – 1930

519689t Charles Griffin, artista-1934

520679t Getrude Gerrish, dançarina – 1924

521399t José Limón, dançarino- 1939

520019t cena de rua

519494t Ansel Adams – 1975

 

520017t Dorothea Lange – 1958

520141t Frida kahlo- 1931

 

520678t Gertrude Stein – 1935

521459t Man Ray – 1961

521679t Seus pais-1933

529018t Seu marido, Roi- 1923

520104t Família na praia- 1910

520732t nu- 1928

529431t filhos – 1919

521480t dança – 1931

519625tBrassai –1973

529385t cena de rua

520063t Edward Weston e Margrethe Mather- 1922

 

imogen2 1920

imogen3 1931

Imogen_Cunningham_Unmade_Bed1957

Imogen_Cunningham_Nude_1923_Platinum

Imogen_Cunningham_Tuberose

529212t auto-retrato –1973.

aHyNHMV3lm7nrlrdaEdJJTtHo1_500Imogen fotografada por Judy Dater.

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