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ANTONI TÀPIES

17 de janeiro de 2010

 

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Antoni Tápies nasceu em Barcelona, Espanha em 1923, tem hoje 87 anos.

Em 2009 comprei em Lisboa um livro de Antoni Tàpies, não uma edição sobre a sua obra e sim um livro de autoria dele; uma coletânea de textos que ele escreveu durante um período e incentivado por um amigo resolveu publicar. O livro tem o título de: Antoni Tàpies- A Prática da Arte. Edições Cotovia, 2002 e foi traduzido do catalão para o português de Portugal.

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Nesse livro ele discute com profundidade as questões intrínsecas da arte e do seu papel social e político. Narra o seu primeiro encontro com Picasso e declara sua admiração por Miró e a poesia de Jean Arp, além de outras reflexões…

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Vi algumas de suas gravuras na Galerie Nero em Wiesbaden, uma cidade alemã em 2007.

Sua obra plástica é classificada por alguns críticos como “pintura matérica”, devido a diversidade de materiais que ele utiliza. Por exemplo, ele utiliza em seus quadros o látex como agente de ligação com pigmentos secos, areia, pó de mármore e outras substâncias. Vi uma vez um vídeo  sobre ele e em algum momento ele ia pintar. Então,  ele jogava tinta diretamente de um balde sobre uma  enorme tela  e espalhava essa tinta com uma espécie de rodo, depois ia jogando outras substâncias, tudo muito enérgico, vigoroso.

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Editei aqui dois trechos de um dos capítulos do livro, quando Tàpies recorda o seu primeiro encontro com Picasso. O texto foi escrito em 1966 recordando este fato acontecido no inverno de 1951 em Paris:

“Abriu-me a porta um homem forte a quem dei a carta e alguns segundos depois mandou me entrar. Picasso, vestido de modo caseiro, com camisola e chinelos de feltro, estava rodeado de gente, todos falando ao mesmo tempo. Havia outros grupos espalhados pela sala e havia muito barulho e fumo… fez-me um sinal, aproximei-me dele com o coração a bater, cumprimentamo-nos e, falando-me em catalão disse: Venha, conte-me coisas de Barcelona…

Saí para o frio da rua com as faces vermelhas de emoção depois de ter podido abraçar aquele pintor lendário que não há ninguém no mundo que, por um motivo ou outro, não traga no coração. Tive oportunidade, anos depois, de constatar a grandeza do seu espírito em todos os momentos em que se precisou dele, e vi de forma palpável que um grande artista é sempre um grande homem”.

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Reflexões sobra a arte, escritos por Antoni Tàpies:

“As formas caducas não podem conduzir a idéias atuais. Se as formas não são capazes de ferir a sociedade que as recebe, de a irritarem, de a impelirem à meditação, de fazerem com que ela veja que está atrasada, se não estiverem em ruptura, então não são uma autêntica obra de arte”.

“Perante uma verdadeira obra de arte, o espectador deve sentir-se obrigado a fazer um exame de consciência e a pôr em dia as suas velhas concepções”.

“Quando o grande público encontra plena satisfação em determinadas formas artísticas, é porque essas formas já perderam toda a sua virulência”.

 

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“ Quando não houver verdadeiro impacto, não haverá arte. Quando a forma artística não é capaz de provocar o desconcerto no espírito do espectador e não o obriga a mudar de forma de pensar, não é atual”.

“A pintura sempre foi uma abstração, desde as grutas de Altamira até Picasso, passando por Velázquez. Eu disse muitas vezes, perante os fanáticos do Realismo, que a realidade nunca esteve na pintura, que ela se encontra unicamente na mente do espectador. A arte é um signo, um objeco, algo que sugere a realidade ao nosso espírito. Não vejo, portanto, qualquer antagonismo entre abstração e figuração, na medida em que ambas nos sugerem esta idéia de realidade. A realidade que os olhos mostram é uma sombra muito pobre da realidade”.

 

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“A contemplação de um quadro é como ouvir música ou ler poesia, não nos exige forçosamente uma análise intelectual das obras. O espectador já faz bastante ao consentir o impacto, ainda que de forma confusa, que a obra faz ecoar no seu espírito. A arte atua sobre toda a nossa sensibilidade e não exclusivamente sobre a inteligência”.

“O sentido de uma obra baseia-se sempre na possível colaboração do espectador. Apoia-se sempre no espírito mais ou menos trabalhado daquele que a contempla. Um homem vazio de imagens, sem imaginação e sem a sensibilidade necessária para que se desencadeiem no seu interior associações de idéias e de sentimentos, não verá nada”.

 

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“Se a pintura atual não fizesse tremer ou, pelo menos, não incomodasse muitos, teríamos de nos considerar fracassados”.

“A minha fonte de inspiração encontrei-a pois vivendo intensamente a Catalunha; no Montseny, no cinzento esverdeado das azinheiras, no cinzento azul das suas brumas, no ocre dos seus campos. Encontrei-a em Sant Gervasi, nas ruas silenciosas das tardes de domingo, quem sabe se atravessadas por alguma jovem vestida de cor-de-rosa violeta; nas paredes cinzentas que escondem os melancólicos jardins que já não se conseguem defender do crescimento devorador da anárquica cidade. Encontrei-a no bairro gótico, toda a história de um país escrita nas pedras cinzentas e escuras cheias de cicatrizes. Nos bairros distantes, em Sants, em Hospitalet, nas saídas das fábricas, das oficinas. No museu Romântico. No irracionalismo e na exaltação da nossa raça, desde Ramon Llull até Joan Miró, passando por Gaudí e por toda exuberância modernista da nossa cidade. Encontrei-a nos contatos tradicionais com o Oriente, na nossa cultura aberta à Europa, nas nossas preocupações sociais, industriais e agrárias, nas nossas lutas, nas nossas danças frente ao mar, nos nossos fracassos, no nosso sangue, nas nossas esperanças. Qualquer coisa intimamente sentida pode depois converter-se num símbolo de toda uma situação universal”.

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FRIDA KAHLO

5 de janeiro de 2010

 

 

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Também sabes que tudo

que meus olhos vêem e que tudo

o que em mim mesmo toco,

de todas as distâncias,

é Diego. A carícia das

telas, a cor das cores, os

fios, os nervos, os lápis,

as folhas, o pó, as células,

a guerra e o sol, tudo aquilo

que se vive nos minutos dos

não-relógios e dos não-calendários

e dos não-olhares vazios,

é ele. Tu o sentiste, por isso

deixaste que o navio me trouxesse

do Havre, de onde nunca

me disseste adeus.

Continuarei a escrever-te sempre

com meus olhos.

Beijo xxxxxx a menina…

 

 

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= sentido =

felizmente, as palavras

se foram for-

mando ___________

Quem lhes deu

a “ verdade” absoluta?

nada é absoluto

Tudo se transforma,

tudo se move, tudo

gira – tudo voa e vai.

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Imagens  e fragmentos de textos do “Diário de Frida Kahlo: um auto-retrato íntimo” 1995

 

 

“O Diário é sua linha vital com o mundo. Quando via a si mesma, ela pintava, e pintava porque estava só e porque era o assunto que melhor conhecia”.

Carlos Fuentes

Duchamp

5 de janeiro de 2010

 

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Fragmento do texto: O ato criador- de Marcel Duchamp- 1957

“Em última análise, o artista pode proclamar de todos os telhados que é um gênio; terá de esperar pelo veredicto do público para que a sua declaração assuma um valor social e para que, finalmente, a posteridade o inclua entre as figuras primordiais da História da Arte”.

“O que quero dizer é que a arte pode ser ruim, boa ou indiferente, mas, seja qual for o adjetivo empregado, devemos chamá-la de arte, e arte ruim, ainda assim, é arte, da mesma forma que a emoção ruim é ainda emoção”.

 

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“O ato criador não é executado pelo artista sozinho; o público estabelece o contato entre a obra de arte e o mundo exterior, decifrando e interpretando suas qualidades intrínsecas e, desta forma, acrescenta sua contribuição ao ato criador. Isto torna-se ainda mais óbvio quando a posteridade dá o seu veredicto final e, às vezes, reabilita artistas esquecidos”.

 

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Segundo Calvin Tomkins ( Duchamp: uma biografia, 2004), Duchamp comprou, na rua de Rivoli, um cartão-postal barato com a figura da Mona Lisa ( de Leonardo da Vinci) e o transformou num readymade. Com um lápis preto desenhou um bigode de pontas levantadas e um cavanhaque e escreveu embaixo, com letras maiúsculas, L.H.O.O.Q. As letras em si não fazem sentido, mas quando lidas em voz alta e em francês soam como elle a chaud au cul ( ela tem fogo no cu).

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