Fiz uma viagem rápida a São Paulo e aproveitei para comprar materiais que nunca chegam a Natal, um bom papel para desenho, boas marcas de tintas, pigmentos, nanquins, etc. Igual criança quando recebe presente, fui logo testando minhas compras. Experimentei os papéis e crayons, fiz assim vários desenhos, num só dia. Essa é uma característica minha, a pulsão de fazer algo até quase a exaustão, até o final ( quando se determina um final).
Dias depois os fotografei e agora estou postando alguns. É um momento de reflexão. O que esses desenhos dizem? Há um fio condutor que vejo que guia meus trabalhos, seja qual for a linguagem que eu faça uso. A pintura, o desenho, a cerâmica, a fotografia ou a escrita ensaística. É como se eu pisasse num só espaço, dissesse a mesma coisa, moldasse o mesmo tempo. Exatamente uma estética e um tema que permanece em mim, apesar de nunca ter vivido lá, o sertão. O sertão em mim é sempre a saudade de algo que nunca tive ou vivi.
São imagens tomadas do real, porém não isentas de abstrações, símbolos e sonhos. Que muitos podem julgá-los com importância menor. Porém são significativos para mim, são minúcias, detalhes de formação de um modo de ver o mundo, são conexões da memória. Talvez de coisas que nem vivi ou pedaços de vivências que permanecem sem grandes razões de ser. Enfim, são simplemente desenhos.
