25 de agosto a 12 de setembro de 2008
Pavilhão ao lado do Centro de Convivência- Campus Universitário
PODE ENTRAR, A CASA É SUA
Com esta expressão do falar nordestino, iniciadora de um sentimento de fraterna reunião, queremos saudar os visitantes da Exposição Itinerante dos 50 anos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
Nesse encontro- reencontro, em muitos casos-, a alegria predomina. Nem poderia ser diferente, pois o sentimento familiar é plenamente justificável. Afinal, poucas são as instituições capazes de refletir esse sentimento de identidade com a cultura e o desenvolvimento potiguares como a UFRN.
Esse congraçamento tem, assim, a finalidade de celebrar a memória e o futuro. Os sonhares de cinqüenta anos passados, o esforço das sucessivas administrações que consolidaram a obra iniciada e a expressão atual levam a instituição a destacar-se regionalmente e até no plano nacional.
Pode entrar, a casa é sua!
Como se estivesse a folhear um álbum de família, visite, uma a uma, as seções para descobrir ou reconhecer espaços, personagens e situações que deram e dão forma à universidade surgida do sonho dos pioneiros e, hoje, colocada entre as mais importantes instituições de ensino superior público da região e do País.
José Ivonildo do Rêgo
Reitor

MIRE VEJA
A partir dessa expressão do escritor João Guimarães Rosa quero dizer que ser responsável pela criação e concepção de uma exposição itinerante sobre os 50 anos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte foi antes de tudo uma tarefa de desafio e grande prazer. Em princípio ficou muito claro a impossibilidade de darmos conta total da história da UFRN durante todos esses anos. Até porque acreditamos que não há um ponto único nem um só lugar privilegiado de onde possamos com exaustão e única verdade, narrar, ouvir, dizer e tocar todas as dinâmicas da vida acadêmica que foram ao longo desse tempo gestando inúmeras maneiras de viver, aprender e conhecer.
Por esta razão tomamos a liberdade de construir cenários possíveis de acenderem a consciência de que o acadêmico ( até no seu núcleo histórico mais rígido) pode ser disseminado e partilhado de forma lúdica e estética. Assim os cenários foram construídos de pedras do mundo sensível, de veias de vidas sob a sentinela silenciosamente posta entre a ciência e a arte.
O ser humano foi escolhido como parte fundamental e visceral de toda a exposição. Abrigamos incertezas, riscos, entusiasmos, regressões, ousadias, avanços, criatividade, tristezas, esperanças, ilusões, reflexões, omissões, silêncios e apostas humanas. Deixando claro uma Universidade com espaços de múltiplas vozes, cada uma no seu tom e com o seu juízo de valor, suas verdades e formas diversas de se conectarem com o mundo.
A linguagem foi cuidadosamente construída coerente com a estética proposta, sendo tramada num tecido simultaneamente científico e ensaístico e a linha central narrativa se formou por um encadeamento de assuntos próximos uns dos outros; porém nada ficou organizado em estruturas de compêndios, nem em ações puramente administrativas.
O experimental e o novo passou pela escolha de exibir a produção em vídeo de dez alunos do curso de Comunicação Social com suas impressões sobre a universidade em suas vidas. Não precisamos dizer do sucesso do resultado, foram expostos itinerários poéticos e científicos. As telas espalhadas dentro da exposição para exibição de vídeos ficaram disponíveis a produções realizadas tanto individualmente como algumas produções pontuais da grade da TV Universitária, como o curta “Devorando Fausto” , o documentário,”Lugares Arte Pensamento”e alguns programas do “Memória Viva”, entre outros.
No espaço que chamamos de Objetos Interativos ( tipo instalação) foram criados objetos entre o significado e a representação, construindo assim metáforas para dizer sobre os professores,os alunos, os funcionários,além das pesquisas e cursos em que a universidade se compõe. Por exemplo, as pesquisas desenvolvidas atualmente na Universidade foram simbolizadas por uma média de 800 saquinhos pendurados no teto, de forma que pudessem ser manuseadas e em cada um dos saquinhos foram impressos o nome do pesquisador,o objetivo e área de atuação da pesquisa, simbolizando a tarefa de acumulo e conhecimento científico. Criamos também grandes torçais ( 5 metros com 10 cm de diâmetro) com impressões dos nomes dos professores e também colocando-os pendurados visualizando um movimento de entrelaçamento, próprio do ato de ensinar. Para simbolizar e visualizar o corpo de alunos criamos seis painéis com fotos de cada um deles, totalizando dezoito mil fotos, montadas a partir da idéia de individualidade e relação. Já para o corpo de funcionários usamos a simbolização de um teto através de um grande tecido estendido com seus nomes impressos.
Tanto esses cenários como toda a exposição foi pensada para que o visitante não passe como mero espectador, ao contrário, se sinta parte integrante e fundamental da instituição Universidade Federal do Rio Grande do Norte . Como espaço de memória, colocamos uma câmara disponível para que qualquer visitante seja convidado para deixar seu depoimento sobre a UFRN registrado.
Esses cenários geraram uma exposição tecnológica na linguagem de exibição, porém repleta do sensível, do sentido do humano, da memória e do conhecimento. Entretanto “mire veja” é quase um pedido para que o visitante concentre o foco do seu olhar sobre essa pequena centelha referente aos 50 ANOS DA UFRN e que só se colocará a pulsar e a existir a partir do seu olhar e dos outros olhares sobre ela.
Angela Almeida
Curadora da exposição
fotografias:Tito Rosemberg
A exposição foi toda produzida por alunos da UFRN.
Fotografias da equipe de produção:
Equipe técnica:
