Terminou de sair mais uma fornada de algumas peças que produzi nesses últimos meses. Trabalhei com três metáforas: aconchego, sonho e morte. Para cada uma escolhi uma forma/objeto:
Casas- aconchego. Me inspirei no livro de Anna Mariani- Pinturas e Platibandas- Instituto Moreira Salles- Edição de 2010. A casa como espaço de recolhimento, família, alegria, solidão… As platibandas talvez sejam o que há de mais original na arquitetura popular brasileira. As formas, a geometria, as cores formam uma poética singular do sertão. Busquei na pintura das platibandas, a transparência, como elemento característico da prática da caiação, hoje já bastante substituída por novos materiais.
Rosas- sonhos. As produzi como elemento de sonhos, para que possam ficar penduradas, como estrelas, flutuando no espaço. Usei todas as cores, como um arco-íris no sertão. Como também já citei nesse blog, uma citação que Borges faz de um verso de Angelus Silesius: ”A rosa não tem porquê. Floresce porque floresce”
Facas- morte e respeito. Fui buscar no livro de Oswaldo Lamartine a faca como elemento de respeito naquele sertão-antigo. A faca como objeto de corte entre a vida e a morte. Uma faca que se transforma em pedra, pedras que levam marcas inconfundíveis de vida.
