GRAFISMO

gemeos

(osgemeos)

Os melhores grafismos são aqueles que nos chamam a atenção quando passamos por eles de carro, e conseguimos contemplá-los em movimento. É diferente quando você os observa de igual para igual, isto é, o corpo e o desenho estanques e próximos um do outro. Contemplar um grafite, não sei se seria mesmo essa expressão “contemplar” porque para contemplar é necessário uma pausa e o grafite não exige essa pausa. Ele é absorvido na rapidez do olhar. Ver em movimento faz o desenho se tornar expandido em relação ao corpo que observa, dando assim aos traços certa elasticidade, uma transformação. Até mesmo o peso do desenho fica mais claro quando o observamos em movimento.

O trabalho dilata suas potencialidades a partir do ponto que é visto em velocidade e os traços gráficos ganham forma e literalmente irrompem dentro do espaço urbano. Assim cada espectador terá sua imagem dependente do movimento do seu corpo e do seu olhar. Essa relação é única e é a partir dela, da percepção que a obra se completa.

Essas imagens tatuadas no corpo da cidade são em princípio consideradas ilegais, predatórias e reconhecidas mais como manifestação marginal. Porém com a evolução da arte contemporânea essas fronteiras foram sendo ultrapassadas e muitos grafismos hoje são institucionalizados e chegaram as galerias e museus com reconhecimento de arte. Temos o exemplo dos dois irmãos cariocas chamados de “osgemeos” que tem trabalhos patrocinados pela prefeitura de São Paulo, pela empresa internacional a Nike, com trabalhos na fachada do Tate Modern, Museu de Londres, entre outros trabalhos.

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(osgemeos)

Claro que ainda se discute a diferença entre pichação e grafismo, uma como um processo anárquico de criação e que suja a cidade e a outra já reconhecida pela cultura normativa.

Fui assim dá uma volta pela cidade com os olhos voltados para os grafismos. Encontrei ali próximo ao SEBRAE um grafite muito interessante.

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Esse desenho tem uma grande influência dos mangás japoneses, a figura feminina é uma mistura entre a estética do corpo ocidental, tipo mulher bem-feita, com cintura fina e quadris largos, peitos; porém seu rosto é típico das meninas dos desenhos de mangá. Esse grafismo também tem uma poética própria, esse laço ao redor do corpo da menina com a inscrição “serpássaro”.

 

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Já esse outro retrata uma mulher  mais  formas  mais arredondadas,  com peitos fartos, cabelos cacheados e olhos enormes, traços que fogem completamente dos mangás. Nesse grafite percebemos traços do desenho popular brasileiro, com linhas fortes, definidas, limitando os espaços. Porém as linhas são em movimentos curvos, sobrepostas, lembrando o barroco latino ( um barroco antropofágico ) muito comum na arte popular.

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Esses grafismos estão próximos ao SEBRAE.

angela 541 Esse fica próximo ao campus universitário da UFRN. O desenho aqui é completamente clássico, em preto e branco, expressivo , limpo e convivendo muito bem com um grafite  ao lado de traços e cores fortes.

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Aqui a técnica é o stencil. Uma família cuja única representação em destaque e com cor é o bebê.

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Esse fica próximo a Escola de Música da UFRN e lembra o que estar perto do SEBRAE.

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Esses grafismos mostram  o hibridismo hoje dos movimentos do street-art.

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Em 2007 estive como avaliadora numa banca de trabalho de conclusão do Curso de Comunicação da aluna Juliana Braz de Oliveira sob a orientação da Profa. Josimey Costa, cujo trabalho era sobre o grafismo como veículo de comunicação social na área urbana de Natal. O trabalho hoje em termos gráficos é uma memória, até porque os grafismos que ela analisou já nem estão mais nas ruas. É muito interessante a leitura desse trabalho.

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Banksy na África ( from the blog obvious).

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Faço parte da corrente que defende o grafismo como expressão artística. Considero uma tatuagem no corpo da cidade, um texto visual impregnado de valores móveis, temporários e descentralizados. Uma arte pública e possível de ser vista a cada dia no próprio processo de desmanche, de diluição dos traços. Há no grafismo uma morte anunciada desde o princípio. O seu tempo de vida é entregue as condições fisícas do ambiente, além dos vandalismos. E nós observadores participamos, querendo ou não, a partir do nosso olhar.

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16 comentários sobre “GRAFISMO

  1. fazer desenho é uma bosta, só para quem gosta que é legal eu odeio desenhar
    e minha professora passou para casa um trbalho valendo 5,0 pontos

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